Área de Concentração

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia tem área de concentração em História Social e possui 03 (três) linhas de pesquisa: Cultura e Sociedade; Escravidão e Invenção da Liberdade; Sociedade, Relações de Poder e Região.
 
Desde seu surgimento, a definição da área de concentração em História Social significava afastar-se de análises meramente políticas da história, buscando ultrapassar as formas de produção do conhecimento predominantes na historiografia brasileira nas décadas anteriores, marcadas pela ênfase no estruturalismo e em análises generalizantes e, muitas vezes, excessivamente quantitativas. Em consonância com as transformações experimentadas pela área no período 1980-1990, e sem deixar de levar em conta as disputas políticas e relações de poder, a intenção era buscar a dinâmica social de grupos e indivíduos diversos, compreendendo suas relações e escolhas em contextos específicos e, ao mesmo tempo, incorporando  temáticas da vida social, cultural, da religiosidade, da legislação e da natureza das instituições, englobando a formação de identidades, as lutas de povos originários e dos escravizados e trabalhadores subalternizados. Com o passar das décadas, buscou-se incorporar debates relevantes na historiografia, como a delimitação e o comportamento de grupos sociais específicos, a adoção de novas fontes e arquivos para o estudo da história, o estudo de trajetórias e a redução da escala de análise, os usos da história oral, a aproximação de temas como família, infância, festas, religiosidades, revoltas, greves, organizações de trabalhadores e cultura política, entre outros. Os temas de pesquisa e as abordagens interpretativas, sempre na perspectiva ampla da História Social, buscam dialogar com a Antropologia, a Sociologia, a Teoria Literária e os Estudos Culturais e de Gênero, entre outras disciplinas.
 
De maneira mais ampla, todas as Linhas de Pesquisa são orientadas para a investigação sólida em arquivos locais, nacionais e internacionais, buscando a experiência dos mais variados sujeitos e de uma ampla gama de temas e abordagens, ao passo em que procuram interagir com reflexão historiográfica mais atual. As linhas incorporam, assim, os debates sobre a intersecção entre classe, raça e gênero, as dinâmicas do conflito e das relações de poder, as representações e as dimensões do simbólico, as biografias, trajetórias, migrações e conexões entre o local e o global, bem como sobre corporalidade, gênero e sexualidades, racismos e diversas outras formas de opressão, e as resistências a elas.
 
Atualmente, embora os estudos sobre a sociedade brasileira ainda sejam privilegiados, há grupos de professores que pesquisam, ministram disciplinas e orientam temas que tratam de outras regiões, como a história social de Portugal e seu império na época moderna, diferentes países da África e das Américas. É de se notar o destaque conferido ao chamado Mundo Atlântico nesses projetos de investigação, ainda que alguns deles explorem também conexões com a Ásia. Os marcos temporais são diversos. Assim, as Américas, a África e a Europa aparecem como espaços privilegiados de investigação para as pesquisas, que tratam desde o período medieval até o tempo presente. Entre os temas de interesse que mais frequentam as pesquisas desenvolvidas no programa, destacamos os estudos sobre escravidão e pós-abolição, mundos do trabalho, variadas formas de religiosidade, fé e crença, festas, história da medicina e das artes de curar, história das mulheres e estudos de gênero em geral, história indígena, história dos povos africanos e afrodescendentes, cultura escrita e literária, arte, cultura material, oralidade e construção da memória.
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