O estudo sobre da Guerra de Independência da Bahia (1822–1823) evidencia o protagonismo de pretos, pardos, mulheres e indígenas nas batalhas, milícias, companhias de ordenança e tropas organizadas para defender as águas da Baía de Todos os Santos. Esses grupos, frequentemente anônimos e silenciados nas narrativas tradicionais, atuaram na linha de frente e na retaguarda, valendo-se de seu conhecimento territorial, estratégico e das rotas insulares. Figuras como Maria Felipa e José Antônio da Cunha Buticudo se destacam, embora a maioria permaneça sem registro direto. O conflito mobilizou diversos grupos sociais com interesses distintos — escravizados em busca de liberdade, pardos aspirando à cidadania e comerciantes defendendo o comércio —, o que impulsionou o alistamento coletivo. Contudo, apesar desse protagonismo militar, a guerra não alterou as hierarquias raciais, sociais ou de gênero. Assim, o estudo reforça a importância de uma história “de baixo”, que reconhece a centralidade desses sujeitos na defesa da Bahia e na construção do processo de independência.